
Uma reunião convocada pelo Ministério Público Federal (MPF), realizada na sexta-feira (16), em Altamira, definiu a criação de um fórum interinstitucional para coordenar o enfrentamento da seca e dos incêndios na região do Xingu. As informações foram divulgadas pelo MPF na quarta-feira (21).
O fórum reunirá representantes de órgãos federais, estaduais e municipais com poder de decisão. O objetivo é melhorar a distribuição da ajuda, evitar ações sobrepostas e impedir que comunidades indígenas e ribeirinhas fiquem sem atendimento.
O encontro integra o acompanhamento das medidas de prevenção e resposta aos impactos do El Niño 2026/2027 nas comunidades tradicionais da região.
O MPF informou que reforçará os pedidos de deslocamento de aeronaves para o Xingu. A proposta é manter pelo menos uma disponível de forma permanente durante o enfrentamento dos impactos dos incêndios e da seca.
Segundo gestores presentes na reunião, a entrega de ajuda humanitária pode levar até 48 horas em algumas localidades. A Prefeitura de Altamira solicitou uma aeronave à Marinha, que respondeu positivamente, mas o uso ainda depende de autorização do Ministério da Defesa.
Também foram discutidas outras possibilidades de cooperação entre órgãos públicos para viabilizar o apoio aéreo.
Os relatos mais graves apresentados no encontro vieram da Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio. Segundo a associação de moradores, o fogo se espalhou por várias comunidades, provocando preocupação com a saúde e com a segurança das casas.
O ICMBio informou que contava com 19 brigadistas na comunidade Boa Saúde e previa ampliar para 62 o número de pessoas no combate aos incêndios na reserva até sexta-feira (23).
Com os rios rasos, o deslocamento por barco está prejudicado. O acesso terrestre também é longo, reforçando a necessidade de transporte aéreo.
A procuradora da República Thaís Santi pediu informações detalhadas sobre a entrega de água e cestas básicas: quantidade, duração do atendimento, comunidades beneficiadas e critérios de prioridade.
A Funai se comprometeu a apresentar um pré-diagnóstico das vulnerabilidades dos territórios indígenas. Durante a reunião, um representante informou a disponibilidade de 100 mil cestas de alimentos para ações preparatórias contra o El Niño nos territórios indígenas da Amazônia, não exclusivamente na região do Xingu.
Também foram relatadas dificuldades de acesso à água, queda no nível dos poços e obstáculos ao deslocamento das comunidades.
A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros deverão ampliar a formação de brigadistas locais e as orientações sobre manejo do fogo. A corporação informou que cinco frentes de bombeiros militares atuam exclusivamente contra queimadas na região.
O fórum deverá realizar reuniões periódicas e incluir a participação das comunidades e de movimentos sociais. Entre os encaminhamentos, os municípios receberam prazo de sete dias para informar ao MPF se decretaram ou pretendem decretar emergência e quais recursos já acessaram.
Participaram do encontro instituições ambientais, forças de segurança, defensorias, representantes comunitários, Norte Energia e as prefeituras de Altamira, Vitória do Xingu, Anapu e Senador José Porfírio, entre outros.
Fonte: Ministério Público Federal.