
O preço da amêndoa de cacau voltou a cair na região da Transamazônica. Em Uruará, produtores relatam que o valor pago atualmente chega a R$ 10 por quilo, patamar considerado baixo diante dos custos de produção e do cenário recente de valorização histórica da commodity.
A queda preocupa agricultores que investiram em adubação, manejo e recuperação de áreas nos últimos anos, aproveitando o momento de alta no mercado internacional. Agora, com a retração dos preços, muitos começam a questionar se vale a pena manter a área plantada ou reduzir investimentos na cultura.
O mercado do cacau é influenciado diretamente pelas bolsas internacionais, especialmente em Nova York e Londres. Após um período de alta recorde em 2024, motivado por problemas climáticos na África, houve correção nos preços globais, refletindo no Brasil.
Além disso, o país voltou a importar volumes significativos de cacau para suprir a indústria moageira. Parte dessas importações tem origem em países da África Ocidental, como a Costa do Marfim e Gana, maiores produtores mundiais.
A entrada de produto estrangeiro amplia a oferta interna e pode pressionar os preços pagos ao produtor brasileiro, principalmente quando o mercado internacional apresenta recuo.
Na prática, o produtor enfrenta:
Custos elevados de mão de obra
Aumento no preço de fertilizantes
Despesas com transporte
Investimentos em fermentação e secagem
Com o quilo a R$ 10, a margem diminui consideravelmente, especialmente para quem trabalha com produtividade média ou áreas menores.
Produtores da região afirmam que, se o preço continuar em queda, poderá haver redução de investimentos nas lavouras, o que impacta diretamente a produção futura.
O cacau é uma das principais culturas permanentes da região da Transamazônica, gerando emprego, renda e movimentando a economia local. Municípios como Uruará, Medicilândia e Brasil Novo têm forte tradição na produção da amêndoa.
A oscilação de preços faz parte do mercado internacional, mas a preocupação dos produtores é com a velocidade da queda e a dificuldade de planejamento diante da instabilidade.
Enquanto o mercado não apresenta sinais claros de recuperação, o produtor segue atento — e cauteloso — na condução das lavouras.
Fonte: Relatos de produtores de Uruará; análise de mercado com base em movimentações internacionais da commodity.