
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) começou oficialmente nesta segunda-feira (10), em Belém, e a Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) marcou presença na Blue Zone — o espaço oficial das negociações e dos pavilhões nacionais. No estande da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a FIEPA iniciou sua programação com dois painéis voltados à mineração sustentável e à economia circular, dentro do movimento Jornada COP+, que busca uma transição justa na Amazônia brasileira.
O primeiro debate, “Minerais Estratégicos: da extração sustentável à geração de valor”, tratou da importância dos minerais para a transição energética global e das boas práticas ambientais no setor. Emerson Rocha, diretor executivo do Simineral, destacou a Carta Santarém, iniciativa que une setor produtivo, governo e academia para fortalecer a governança ambiental na mineração amazônica.
Participaram ainda Bianca Cabral (OZ Minerals), Marco Braga (Vale) e Anderson Baranov (Hydro), que apresentaram experiências de mineração responsável e os desafios de inovação na região. Já o secretário adjunto de Gestão e Regularidade Ambiental do Estado, Rodolpho Zahluth Bastos, ressaltou a necessidade de priorizar o licenciamento de minerais estratégicos sem comprometer o controle ambiental.
“A descarbonização já é realidade em várias operações de mineração na Amazônia. É preciso mostrar à sociedade a diferença entre mineração responsável e ilegal”, destacou Zahluth.
À tarde, o painel “Economia Circular: transformando resíduos em recursos” abordou como resíduos podem se tornar ativos econômicos, fomentando novos mercados e benefícios sociais. O debate apresentou práticas de circularidade já aplicadas na Amazônia e discutiu desafios de financiamento e regulação.
Entre os destaques, Eduardo Figueiredo (Hydro) apresentou o uso do caroço de açaí como biocombustível, enquanto Celso Pedroso (Grupo Solvi) demonstrou o potencial do biogás e biometano gerados a partir de resíduos orgânicos. A Bayer, representada por Catarina Corrêa, mostrou iniciativas de reciclagem de plásticos da agricultura.
O Banco da Amazônia, por meio do diretor de crédito Roberto Schwartz, apresentou linhas de crédito verde e defendeu a qualificação técnica dos projetos sustentáveis. O painel foi mediado por Deryck Martins, presidente do Conselho de Meio Ambiente da FIEPA, que ressaltou o avanço da indústria na busca por um modelo mais circular.
A Blue Zone, localizada no Parque da Cidade, concentra países e organizações que discutem políticas climáticas globais. A programação da FIEPA segue até quinta-feira (20), com painéis sobre energias renováveis, descarbonização e economia de baixo carbono.
A presença da Jornada COP+ também se estende à Green Zone, no Pavilhão Pará, com eventos sobre bioeconomia, transição energética justa e valorização de povos tradicionais, reforçando o protagonismo da indústria paraense na agenda climática global.
Fonte: Sistema FIEPA


