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Cidades covid-19

Indígenas Kuikuro executam plano próprio de combate à Covid-19 na região do Xingu

O sistema de monitoramento, implementado em 2016, passou por atualização devido à pandemia do coronavírus e inclui ações sociais, educativas e sanitárias.

10/08/2020 19h12
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Por: Redação Xingu 230 Fonte: G1 Pará
Casa de isolamento para pacientes indígenas infectados com o coronavírus. — Foto: Agência Museu Goeldi
Casa de isolamento para pacientes indígenas infectados com o coronavírus. — Foto: Agência Museu Goeldi

Povo com a maior população do Território Indígena do Xingu, os indígenas da etnia Kuikuro elaboraram um plano de combate à Covid-19 com ações sociais, educativas e sanitárias, utilizando um projeto tecnológico de monitoramento da doença. A iniciativa, que conta com o apoio de artistas e pesquisadoras, foi pensada como forma de conter a propagação do coronavírus entre povos indígenas do Brasil.

Em parceria com pesquisadores, o plano liderado pela Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu (AIKAX) também envolveu a atualização de um sistema de informações que permite, com o uso de novas tecnologias, o monitoramento e controle de casos da doença à distância, realizado por cientistas e profissionais de saúde. O projeto científico utiliza sistemas comunitários de mapeamento colaborativo por meio de aplicativos de celular.

O sistema Amazon Hope Collective foi implementado em 2016 e ganhou nova função por causa do novo coronavírus. Usando aplicativos, os Kuikuro organizam informações sobre os territórios a partir da importância cultural e usos, com base em experiências antigas e contemporâneas. Com a pandemia, o sistema foi adaptado para monitorar o fluxo entre aldeias e cidades, rastreando a entrada de pessoas e acompanhando sintomas e sinais clínicos de pacientes em tempo real.

O plano elaborado inclui produção de material educativo em vídeo e texto em português e na língua local, o kuikuro. A iniciativa também conta com a construção de uma casa de isolamento para infectados com a doença na Aldeia Ipatse, além da ampliação da Unidade Básica de Saúde, que atende cerca de 600 indígenas de várias aldeias.

“Todas as preparações e protocolos estabelecidos para situações de emergência e controle de disseminação permitiram o adiamento da chegada do vírus na aldeia, onde ainda há poucos casos confirmados”, disse a arqueóloga Helena Pinto Lima, pesquisadora do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e uma das participantes do coletivo de apoio aos Kuikuro.

A iniciativa realiza, ainda, ações voltadas à segurança alimentar, com doação de alimentos e combustível para os deslocamentos às roças e locais de pesca; compra de medicamentos, materiais sanitários e equipamentos de proteção para a equipe de saúde e população em geral; assim como a contratação de equipe médica permanente. As medidas servem para reduzir a necessidade de deslocamentos de indígenas e circulação de pessoas entre as aldeias.

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