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Cidades paraenses registram abalos sísmicos

Estudioso responde se esses tremores podem ser resultado da ação do homem.

Por: Redação Xingu230 Fonte: USGS
14/06/2019 às 11h51 Atualizada em 14/06/2019 às 16h00
Cidades paraenses registram abalos sísmicos
Foto: usgs.gov

 

Terremoto no Brasil, isso é possível? De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos - USGS, a resposta é sim, e esses abalos sísmicos, como preferem chamar os especialistas aqui no Brasil, ocorrem o tempo todo, alguns chegando aos impressionantes 3.1 de magnitude regional, na escala Richter. Nada que se compare aos terremotos que acontecem no Japão, ou nos EUA, que causam destruição em cidades inteiras, e já provocaram a morte de milhares de pessoas.

Dados divulgados pelo USGS nos últimos meses, mostram que a atividade no subsolo Brasileiro anda agitada. No dia 27 de maio, às 4h21min, um sismo de magnitude Regional de 2.3 ocorreu no município de Oriximiná, no Pará. No dia seguinte, a cidade registrou um segundo tremor de mR de 3.1, que aconteceu por volta das 21h00. O geólogo Marcelo Moreno explica que muitos desses abalos nem sempre ocorrem nos locais onde são gerados, eles podem ser, a maioria das vezes, o resultado de propagação de ondas geradas por um terremoto em outro lugar, que acaba por caminhar através do globo.

O Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP), destaca que no século XX foram registrados terremotos com até 6,6 graus na escala Richter, no Brasil. Segundo o instituto, em 1986, no município de João Câmara no Rio Grande do Norte, um abalo de 5,1 foi o responsável pela destruição de quatro mil imóveis. As causas desses fenômenos vão desde falhas geológicas, vulcanismos, até a ação do homem, como em explosões, extração de minérios, e água, mas nesses casos, explica o geólogo, a intensidade desses abalos induzidos é muito inferior aos abalos naturais.

Os dados registrados pelo USGS mostram que cidades paraenses têm registrado muitos abalos nos últimos meses, mas a origem deles é indefinida. No dia 23 de abril, em Óbidos, no Pará, aconteceu um tremor considerável, de magnitude Regional 3.0, às 5h40min. No dia 27 de abril, a cidade apresentou um novo tremor, agora de mR de 2.6, às 23h53min. Dois dias depois, mais um registro, esse foi de mR 2.7, às 8h07min.

No dia 1º de maio foi a vez de Marabá registrar um tremor. Segundo o USGS, o abalo foi de 2.8 mR, e ocorreu às 17h13min. Em todos esses casos é provável que a população não tenha percebido que o chão vibrou, e que é cada vez mais comum esse tipo de sismos no território brasileiro. Grande exportador de minério, o Pará sofre com as alterações em seu território, que vão de escavações gigantescas, como na Serra de Carajás, até explosões por conta de construções como as da usina hidrelétrica Belo Monte, no rio Xingu.

Nos dois casos, as alterações consideráveis mudaram não apenas a rotina das cidades ao redor desses empreendimentos, mas provocaram mudanças extremas no solo de algumas cidades. Alterações que geram dúvidas com relação à segurança, e levantam questionamentos sobre até que ponto essas interferências feitas pelo homem não seriam responsáveis por causar abalos sísmicos no território nacional.

Sobre os tremores no Pará, o geólogo, Marcelo Moreno, que é coordenador do Laboratório de Geologia de Ambientes Aquáticos da Universidade Federal Rural da Amazônia, explica que apesar dos números chamarem atenção, a princípio não é preciso ter medo. “Os abalos que ocorrem na região Norte, em especial nos estados do Amazonas, Roraima e Pará são, a maioria das vezes, produtos da dinâmica da placa tectônica do Pacífico, que interage com a placa tectônica da América do Sul, isso faz com que o país se torne uma zona de passagem dessas ondas sísmicas.

Apesar disso, o geólogo afirma que algumas regiões podem experimentar os efeitos da sismicidade induzida, que ocorre através de situações que envolvem o enchimento de reservatórios formados pela construção de barragens de água, além de desmonte de rochas com uso de explosivos, que podem vir a causar níveis significativos de vibrações e provocar desconforto às pessoas e eventuais danos às construções locais, e que devido a essas alterações artificiais do solo, precisa ser considerado, o que pode ser feito através de monitoramento, e consequentemente da tomada das medidas mitigatórias necessárias.

No Xingu, uma outra obra chama atenção. Com o licenciamento em discussão, o projeto de mineração da Belo Sun ainda não saiu do papel, e segue na etapa de pesquisas junto às comunidades afetadas, em especial, as indígenas. O projeto que prevê escavações, e explosões a poucos quilômetros da barragem de Belo Monte, na região da Volta Grande do Xingu, levanta novos questionamentos sobre a segurança do território, e da própria barragem, além da possibilidade de alterações ainda mais significativas no solo.

Segurança

Questionada sobre a segurança do solo na região, e os riscos de que as alterações provocadas pelas escavações durante a construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte possam gerar abalos no subsolo das cidades no entorno da obra, a empresa Norte Energia, responsável pela construção e operação da usina, respondeu que executa o monitoramento da sismicidade (registro de eventos sísmicos) na região de influência da UHE Belo Monte, conforme estabelecido no PBA, desde novembro de 2011 até o presente momento, por meio de três estações sismográficas. Essas estações estão situadas em três pontos específicos: um a montante de Altamira; outro a montante da entrada do Canal de Derivação; e outro próximo à Casa de Força Principal, em Belo Monte.

Os dados registrados nas referidas estações são transmitidos, via satélite, para o Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UNB), com a qual a empresa tem parceria. O monitoramento da sismicidade da UHE Belo Monte está integrado a outras estações sismográficas espalhadas no Brasil (rede nacional) capazes de identificar epicentros em todo território nacional e até em outros países.

À mineradora Belo Sun foi questionado o risco de proximidade com a hidrelétrica. A empresa respondeu à reportagem que o projeto Volta Grande, da Belo Sun Mineração, fica distante cerca de 10 Km do barramento de Pimental da UHE Belo Monte. A proximidade entre o empreendimento da Belo Sun Mineração e o barramento não acarretará riscos à população local. As escavações do projeto Volta Grande para abertura da cava a céu aberto de onde será retirado o minério, serão pontuais e controladas por programas previstos no licenciamento ambiental. O manuseio e a quantidade de explosivo a ser utilizada atenderá ás exigências legais estabelecidas pelo Ministério do Exército, responsável pela fiscalização do uso e manuseio de explosivos e as detonações serão acompanhados por monitoramento sismográfico sistemático para que não haja nenhuma possibilidade de comprometimento das estruturas do próprio empreendimento - planta industrial, escritórios e oficinas de manutenção, localizados a aproximadamente 1 Km, muito mais próximos a cava do que o barramento de Pimental. O estudo de avaliação das detonações foi elaborado por engenheiros de minas especialistas no tema e protocolado na Semas, em abril de 2013, constatando que não há risco à UHE Belo Monte (Pimental).   

Além das empresa Norte Energia S.A., no Xingu, e a  Belo Sun, na Volta Grande do Xingu, a reportagem do Xingu230 entrou em contato com a empresa Vale, na região de Carajás, mas não recebemos resposta.

 

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Vitória do Xingu é um município brasileiro do estado do Pará. Foi fundado em 1868 e emancipado em 13 de dezembro de 1991. Possui uma área total de 3.135,2 km² e sua população, estimada pelo IBGE em 2020, era de 15.279 habitantes.
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