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Projeto inédito no Brasil usa inteligência artificial para monitorar peixes do rio Xingu

Tecnologia desenvolvida em Belo Monte poderá identificar até 60 espécies em tempo real e ampliar o monitoramento ambiental na Amazônia.

Por: Redação Xingu230
18/06/2026 às 15h10
Projeto inédito no Brasil usa inteligência artificial para monitorar peixes do rio Xingu

Um projeto inédito no Brasil está utilizando inteligência artificial para monitorar peixes do rio Xingu, no Pará. A tecnologia está sendo desenvolvida no Complexo Hidrelétrico Belo Monte e promete automatizar a identificação de espécies amazônicas em tempo real, trazendo mais agilidade e precisão ao monitoramento ambiental.

O sistema, denominado Idarsa (Inteligência de Dados para Automação de Relatórios Socioambientais), está sendo desenvolvido pelo Instituto Atlântico dentro do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Norte Energia, com apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii). A expectativa é que a ferramenta consiga reconhecer automaticamente até 60 espécies de peixes consideradas importantes para a biodiversidade e para a pesca na região.

Atualmente, uma câmera instalada na escada de peixes do Complexo Belo Monte registra imagens durante 24 horas por dia. O equipamento monitora uma janela de observação localizada abaixo da superfície do rio Xingu, por onde passam milhões de peixes durante os períodos migratórios. A identificação das espécies ainda depende de análises realizadas por especialistas, mas a nova tecnologia deverá automatizar grande parte desse trabalho.

O monitoramento ocorre no Sistema de Transposição de Peixes, um canal de aproximadamente 1,2 quilômetro de extensão que permite a continuidade do fluxo migratório necessário para a reprodução das espécies. Desde o início de sua operação, em 2016, a estrutura já registrou a passagem de mais de 4,3 milhões de peixes pertencentes a 168 espécies diferentes.

A inteligência artificial utilizará o modelo conhecido como YOLO (You Only Look Once), tecnologia capaz de identificar e classificar múltiplos objetos em uma única análise da imagem. A expectativa dos pesquisadores é alcançar, até 2027, uma precisão superior a 90% na identificação das espécies monitoradas.

Segundo a Norte Energia, um dos principais desafios do projeto é adaptar o sistema às características da Amazônia. Muitas espécies da bacia do Xingu possuem aparência semelhante, além das dificuldades causadas pela turbidez natural e pela baixa luminosidade da água.

Além do monitoramento ambiental, o projeto também envolve pesquisadores, estudantes de mestrado e doutorado de universidades brasileiras, incluindo a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Universidade Federal do Ceará (UFC), contribuindo para o avanço da pesquisa científica sobre a biodiversidade amazônica.

Para os pesquisadores envolvidos, a iniciativa poderá servir de referência para novos sistemas de monitoramento ambiental no Brasil e no exterior, fortalecendo a conservação da fauna aquática e a produção de conhecimento sobre o rio Xingu.

Fonte: Norte Energia.

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