A região do Médio Xingu acaba de dar um importante passo na valorização da produção local e da cultura indígena com o lançamento do chocolate artesanal Kunhã Arã, produzido pelo povo Juruna, em Altamira, no sudoeste do Pará.
O produto foi apresentado durante o Chocolat Amazônia 2026, Festival Internacional do Chocolate e Cacau, realizado em Belém, e já desponta como um dos destaques do evento.
Disponível nas versões 50%, 70% e 100% cacau, o Kunhã Arã carrega um diferencial marcante: toda a cadeia produtiva é realizada dentro da própria comunidade indígena, desde o cultivo do cacau até a produção final das barras.
O processo envolve cerca de 19 mil pés de cacau cultivados em sistema agroflorestal sustentável, além das etapas de colheita, fermentação, secagem, torra, formulação e embalagem. O chocolate é artesanal, livre de conservantes e aromatizantes, mantendo a essência natural do cacau amazônico.
A produção é conduzida pela Associação Indígena Tubyá, formada por 51 famílias da etnia Juruna, sendo que oito famílias atuam diretamente no campo. A iniciativa é liderada por Irasilda Morais Pereira Fernandez Juruna, que destaca o impacto social do projeto, especialmente para as mulheres da comunidade.
Além da geração de renda, o projeto também promove o resgate cultural do povo Juruna, incluindo a valorização da língua e dos grafismos tradicionais. A identidade visual do chocolate reforça essa conexão, trazendo a figura de uma guerreira indígena como símbolo de força, proteção e ancestralidade.
O desenvolvimento do projeto conta com apoio da Norte Energia, por meio de ações voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar indígena. Entre os investimentos estão equipamentos, assistência técnica, mudas de cacau e suporte na estruturação da marca e comercialização do produto.
A expectativa inicial é de produção de cerca de 50 quilos de chocolate por mês, com planos de expansão para atender novos mercados, incluindo programas de alimentação escolar e até outros estados do país.
Mais do que um produto, o Kunhã Arã representa um modelo de desenvolvimento sustentável baseado na autonomia, na valorização da cultura indígena e na geração de oportunidades para as comunidades do Médio Xingu.
Assessoria / Norte Energia