A Amazônia foi colocada no centro das discussões sobre energia, mineração e infraestrutura durante reunião da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, realizada em Belém no dia 19 de março. O encontro reuniu autoridades e representantes do setor produtivo para discutir desafios e oportunidades no Pará.
A reunião, promovida pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), reuniu lideranças políticas e institucionais em torno de uma agenda considerada estratégica para o desenvolvimento do país.
Durante o encontro, o presidente da FIEPA, Alex Carvalho, destacou o protagonismo do Pará no setor mineral, afirmando que o estado tem se consolidado como referência em mineração sustentável. Segundo ele, o desafio é alinhar crescimento econômico com responsabilidade ambiental e inclusão social.
Apesar do potencial, foram apontados entraves históricos que ainda limitam o avanço dos setores, como a lentidão no licenciamento ambiental, insegurança regulatória e deficiência em infraestrutura logística e energética.
O presidente da Comissão de Minas e Energia da Câmara, deputado federal Joaquim Passarinho, reforçou a importância da Amazônia no planejamento nacional e criticou a distância entre decisões ambientais e a realidade da região. Ele defendeu maior protagonismo local nas decisões e equilíbrio entre preservação e desenvolvimento econômico.
Representando a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o diretor-geral Artur Watt destacou que há blocos energéticos já concedidos no Pará aguardando avanços, mas que a liberação de licenças ainda ocorre de forma lenta. Segundo ele, é necessário dar mais agilidade aos processos para destravar investimentos.
Já o diretor-presidente da Norte Energia, Paulo Roberto, enfatizou que o Brasil possui uma matriz energética majoritariamente limpa, com forte presença de fontes hidrelétricas. Ele ressaltou que o país ocupa posição privilegiada na transição energética global, conciliando redução de emissões com segurança no fornecimento.
O executivo também destacou impactos diretos na região do Xingu, citando municípios como Altamira e Vitória do Xingu entre os beneficiados por royalties e investimentos em áreas como saúde, saneamento e infraestrutura.
Além disso, foram mencionadas iniciativas de inovação e sustentabilidade, como o uso de tecnologias limpas e parcerias com instituições como o BNDES e a Universidade Federal do Pará, reforçando o papel do setor energético no desenvolvimento regional.
Ao final, a FIEPA apresentou um posicionamento institucional defendendo o fortalecimento dos setores de energia e mineração como pilares estratégicos para o Pará, com foco em segurança jurídica, competitividade e sustentabilidade.
O debate reforça a crescente centralidade da Amazônia nas decisões nacionais sobre desenvolvimento econômico, especialmente em um cenário de transição energética e pressão internacional por preservação ambiental.