
Na manhã da última terça-feira (07), um grupo de ribeirinhos do Xingu organizados no movimento dos atingidos por barragens (MAB) se reuniu com a empresa Norte Energia. O grupo esperava encaminhar à empresa a situação em que ribeirinhos atingidos pelos reservatórios de Belo Monte, e que foram realocadas compulsoriamente para territórios distintos estariam enfrentando, principalmente com relação às dificuldades para recompor o modo de vida que tinham antes.
A reunião havia sido agendada há algum tempo, mas o representante do setor socioambiental da empresa, que trata sobre as pautas de realocação, não apareceu. O grupo protestou, e alegou que além de não conseguir sentar para conversar, e expor a situação, as famílias estão sem resposta para uma série de questionamentos que foram encaminhados à empresa, e até agora não foram respondidos.
Em conversa com representantes dos ribeirinhos, o Xingu230 apurou que uma das reclamações diz respeito à forma como os grupos familiares foram desfeitos. Comunidades que coexistiam em áreas próximas ao trecho onde o rio foi barrado, e realocadas para áreas diferentes, não havendo a preocupação com a manutenção do estilo de vida dessas pessoas, e a necessidade de viverem em comunidades. Há ainda denúncias sobre a dificuldade da manutenção da pesca artesanal.
O Xingu230 entrou em contato com a empresa Norte Energia pedindo esclarecimento sobre as demandas dos ribeirinhos, e as cobranças por indenizações como forma de reparação a essas comunidades. Em nota a empresa esclareceu que no âmbito do projeto de reassentamento ribeirinho em elaboração, foram definidos pelas próprias famílias, num processo participativo que contou com o acompanhamento do Conselho Ribeirinho, representante desta população nas tratativas com a empresa.
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