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Vacinar contra o sarampo é a principal forma de conter a disseminação da doença no Pará

Técnicos da Sespa e do Ministério da Saúde discutem estratégias para, novamente, erradicar a doença no Brasil

22/10/2021 20h45
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Por: Redação Xingu230 Fonte: Secom Pará

Resgatar a cobertura vacinal contra o sarampo é a principal estratégia para o Pará controlar a doença, que voltou em 2018 e ainda permanece afetando a população. Essa é a constatação das equipes técnicas do Ministério da Saúde (MS) e da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), que se reuniram na quinta-feira (21) e sexta-feira (22), no auditório do Laboratório Central do Estado (Lacen-PA) para discutir o assunto.

O Ministério da Saúde foi representado por profissionais do Grupo Técnico das Doenças Exantemáticas, Coordenação Geral de Imunização, Coordenação Geral de Laboratórios, e por uma técnica do Laboratório de Referência Nacional da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A equipe do MS reconheceu que o Governo do Pará, por meio da Sespa, tem priorizado o controle do sarampo no Pará, e disse que o objetivo da visita é somar esforços com o Estado e municípios para fortalecer as ações de Vigilância Epidemiológica, Imunização, Vigilância Laboratorial e ações de Atenção Primária em Saúde, para interromper circulação do sarampo no território paraense.

Esse trabalho está sendo feito em todos os estados brasileiros que tiveram casos de sarampo neste ano, para aprimorar as estratégias e trocar experiências entre as unidades da Federação.

Estratégias- Para a diretora de Epidemiologia da Sespa, Daniele Nunes, a reunião técnica é importante para reintegrar os setores que estão envolvidos no controle do sarampo, no sentido de criar estratégias voltadas para essa realidade. “Há cinco anos que o Pará vem tentando eliminar, e ainda não conseguiu. Temos poucos casos ativos, mas o sarampo ainda está circulando no nosso Estado. Este é um momento de integração, de troca de conhecimento, de avaliação do que foi realizado anteriormente, quais as lições aprendidas, para que possamos traçar novos planos para conseguir a eliminação do sarampo no Estado”, informou a gestora.

Conforme o Grupo Técnico do Ministério, a baixa cobertura vacinal é o principal fator agravante da situação. A população não tem procurado as salas de vacina como deveria, apesar de a vacina tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) ser ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em todo o País para crianças de um ano (1ª dose) e de um ano e três meses (2ª dose), e, em alguns casos - como o Pará -, ser ofertada a dose zero desde 2019 para as crianças a partir de seis meses de idade, e ainda para pessoas até 59 anos nunca vacinadas.

As coberturas vacinais vêm caindo desde 2016, e com isso o Brasil corre o risco de reintroduzir outras doenças graves, como rubéola e poliomielite. Por isso, a população precisa continuar sendo alertada sobre a importância de buscar a vacina nos postos de vacinação. Constatar que não há mais circulação do vírus do sarampo no País é a única maneira de o Brasil resgatar a Certificação Internacional de Eliminação do Sarampo, que havia conquistado em 2016, mas perdeu em 2018.

Cobertura vacinal- A coordenadora estadual de Imunizações, Jaíra Ataíde, concorda que para controlar a propagação do sarampo é indispensável garantir a vacinação da população a partir dos seis meses de idade e até os 59 anos. “É necessário que a área técnica trabalhe juntamente com a Atenção Primária, e que a gestão municipal garanta que as ações de vacinação sejam realizadas, para conseguirmos resgatar a cobertura vacinal do sarampo, que está em somente 52% nas crianças de um ano de idade. Podemos vacinar crianças a partir dos seis meses com a dose zero, que está disponível nos postos de saúde. Temos vacina suficiente para isso”, garantiu.

A diretora de Vigilância Epidemiológica, Adriana Veras, informou que, neste ano, o Pará já confirmou 115 casos de sarampo, e tem seis municípios que notificaram casos recentemente, tendo sido confirmados casos nos municípios de Primavera (na região Nordeste) e Marituba (Região Metropolitana de Belém). “Independentemente da confirmação, a Vigilância Epidemiológica trabalha com o objetivo de fortalecer a Vigilância do Sarampo nos municípios, ou seja, que haja notificação em tempo oportuno, investigação, coleta de amostras, encerramento de casos e busca ativa em municípios que tiveram casos registrados e estão silenciosos por 12 semanas, e em municípios sem casos recentes que estejam, há muito tempo, sem notificação”, explicou Adriana Veras.

Para esse trabalho há o Grupo Técnico de Doenças Exantemáticas, composto por cinco profissionais. Juntamente com os Centros Regionais de Saúde, o Grupo Técnico está indo aos municípios considerados silenciosos, atuando principalmente no trabalho de busca ativa de casos.

Está sendo feito um trabalho integrado entre o Nível Central, Vigilância Epidemiológica, Atenção Primária e Imunização, mas a Sespa ainda percebe a falta de integração entre a área técnica e os serviços nas unidades de saúde nos municípios. “E essa integração é muito importante, porque é o serviço que notifica e informa. Sem essa integração não se consegue obter as informações necessárias, em tempo hábil, em relação não só ao sarampo, mas a todos os agravos de saúde”, argumentou a diretora.

A reunião também contou com a participação de representantes do Lacen-PA, Centros Regionais de Saúde, de secretarias municipais de Saúde e do Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems).

Por Roberta Vilanova (SESPA)
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