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Pará Doença Haff

Vitória do Xingu proíbe entrada de pescados vindos do Amazonas

A decisão foi tomada após confirmação da ‘doença da urina’ preta no estado

10/09/2021 às 01h04
Por: Redação Xingu 230 Fonte: Confirma Noticia
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Reprodução
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Uma reunião de emergência aconteceu na Secretaria de Saúde de Vitória do Xingu para definir estratégias que impeçam o consumo das espécies que causam a doença de Haff, conhecida popularmente como ‘doença da urina preta’. Com representantes da secretaria de saúde, agricultura pesca e abastecimento, a preocupação é que a população do município seja contaminada pela bactéria.

“Nós estamos tentando criar um mecanismo de defesa sanitária no município para evitar que peixes vindo dessas regiões, do Baixo Amazonas ali na região de Santarém, possam chegar no município vindo a contaminar e trazer problemas a nossa população”, relata Beto Bessa, Engenheiro de Pesca.

Segundo a Secretaria de Saúde de Vitória do Xingu, o pescado nativo do rio Xingu, e comercializado aqui na região, não oferece risco à população. Pescados que vêm de outros municípios do Oeste do estado é que preocupam as autoridades. Será fiscalizada a entrada dos peixes no município. 

“Peixes que venham de municípios que são banhamos pelo Rio Amazonas. A partir de Porto de Moz nós iremos realmente bloquear temporariamente a entrada desses peixes aqui”, relata Roseli Braga, secretária de saúde.

A doença da urina preta é causada por uma toxina que pode ser encontra em determinados peixes como pacu, tambaqui, pirapitinga e pirarucu. Isso acontece quando o peixe não foi guardado e acondicionado de forma adequada, criando a toxina sem cheiro e sem sabor.

A doença evolui de forma rápida no organismo, entre 2 e 24 horas após o consumo do alimento. Sintomas mais comuns são dores nos pescoços, nos ombros e dores musculares. Um dos sintomas mais característicos é a urina de cor mais escura que aproxima a cor do café.

No dia 7 de setembro o mototaxista Genivaldo Cardoso de Azevedo, de 55 anos, morreu com suspeita da "doença da urina preta". Ele estava internado no Hospital Municipal de Santarém, no Oeste do Pará. Segundo amigos de Genivaldo, ele teria comido peixe no fim de semana e horas depois começou a sentir os primeiros sintomas. No laudo médico foi atestada a morte como "infecção generalizada". O quadro clínico do paciente foi considerado delicado. Ele foi levado para o setor de estabilização, mas não resistiu e morreu.

O Hospital informou que o paciente apresentou os primeiros sintomas e deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA-24h) no dia 5 de setembro. Genivaldo se queixava de dores musculares nas pernas semelhantes a cãimbras. Ele recebeu atendimento, melhorou o quadro e foi liberado. Mas, o paciente piorou e deu entrada na nova unidade hospitalar durante a madrugada do dia 6 de setembro

Recentemente casos apareceram em Manaus. Segundo reportagem da BBC, desde 22 de agosto, dezenas de moradores do local apresentam um quadro chamado rabdomiólise, marcado pela destruição das fibras que compõem os músculos do corpo.

No mesmo período, indivíduos de outros cinco municípios do Amazonas (Silves, Manaus, Parintins, Caapiranga e Autazes) também foram diagnosticados com a mesma condição.

Todos os 44 casos registrados até o momento estão sendo investigados, mas a principal suspeita é que esses indivíduos tenham sido acometidos pela doença de Haff.

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